Cinema Fora de Cartaz

Fora de Cartaz: “O Homem Lobo” (1941)

Com a morte do seu irmão, após quase duas décadas a morar nos Estados Unidos, Larry Talbot (Lon Chaney Jr.) retorna para o País de Gales para se reconciliar com o seu pai e ajudá-lo com a administração da propriedade da família. A sua vida mudaria completamente quando, ao salvar a vida de uma rapariga do ataque do que ele acredita ser um lobo, é mordido pela criatura. Mais tarde, vem a saber pela velha cigana Maleva (Maria Ouspenskaya) que a criatura era, na verdade, um lobisomem e que devido à mordida ele estava fadado a se transformar também no monstro.

Com uma fotografia muito bem conseguida, “O Homem Lobo” é uma história sobre a dicotomia entre a ciência e a psicologia e o folclore e as lendas. Mais do que isso, é um filme que revela sob os evidentes estereótipos e preconceitos uma grande profundidade ao retratar a luta consciente de um homem para salvar o que resta da sua humanidade.

O nome por trás do guião é Curt Siodmak, responsável não somente pelo argumento do filme, mas também por criar boa parte do que hoje reconhecemos como sendo a lenda do lobisomem. Apesar desta figura ser encontrada nas tradições de diversos povos ao longo da história, pouco do que consta no filme é baseado no folclore. Foi Siodmak que criou, por exemplo, a característica do monstro estar marcado com um pentagrama e de somente poder ser morto por um objeto de prata.

Embora o argumentista tenha numa entrevista creditado o sucesso da narrativa à credibilidade que obtinha com a utilização de fundamentos científicos, talvez o que verdadeiramente atraia a atenção do espectador seja a possibilidade de identificação com a personagem principal, transformado em monstro à sua revelia, por um capricho do destino.

A maquilhagem é outro ponto de destaque do filme. Já conhecido por caracterizações icónicas, como as de “Frankenstein” (1931), “A Múmia” (1932) e “A Noiva de Frankenstein” (1935), coube a Jack Pierce transformar Chaney num lobisomem. Com apenas o nariz sendo uma prótese, todo o restante da maquilhagem era criado diariamente, num processo penoso que durava cerca de 6 horas para a sua colocação e 3 horas para a sua remoção. Apesar dos boatos de uma relação complicada entre a dupla, esse esforço foi certamente recompensado pela qualidade do resultado obtido.

Chaney iria reviver o papel em 4 sequelas realizadas durante a década de 1940, sendo talvez o papel mais emblemático da sua carreira. Trata-se do único monstro dos estúdios Universal que foi sempre personificado pelo mesmo ator. Maria Ouspenskaya, de igual forma, seria mais uma vez Maleva, numa das sequelas.

“O Homem Lobo”, conta com críticas extremamente positivas, sendo um dos grandes clássicos de terror do cinema. Disponível em Blu-ray e algumas plataformas de streaming é um filme que vale a pena ser assistido… A não ser que seja numa noite de lua cheia.

Filmes que continuam relevantes mesmo que há
muito tempo já fora de cartaz.

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