Cultura Teatro

Teatro do Bairro sai da sala para a rua e leva “Troianas” às Ruínas do Carmo, em Lisboa

O Teatro do Bairro “vai sair da sala para a rua”, com as “Troianas”, peça em cena a partir de quarta-feira, nas Ruínas do Convento do Carmo, em Lisboa, disse o encenador António Pires à agência Lusa.

Numa nova tradução de “As Troianas”, de Eurípides, a “história dos últimos momentos de Troia e a sua destruição”, vai ser apresentada, nas ruínas, “num texto dedicado à inutilidade da guerra e ao papel da mulher num momento de sofrimento como este”, explicou o encenador.

“Num período como este que estamos a viver, em que parece que existem sempre ameaças de guerra, consideramos importante refletir e pôr em cena esse ponto de vista, onde é mostrado e dito o disparate da guerra”, acrescenta.

O elenco, composto pelos atores Maria Rueff, Sandra Santos, Alexandra Sargento, Vera Moura, João Barbosa, Hugo Mestre Amaro e Francisco Vistas, integra os 14 alunos finalistas da ACT – Escola de Atores.

Em cena, “numa tragédia de mulheres”, como define o encenador, pode ver-se a história da rainha Hécuba, interpretada por Maria Rueff, e de suas filhas, por Alexandra Sargento, Sandra Santos e por alunas da ACT, “distribuídas, como escravas, pelos gregos, vencedores da guerra”.

O delírio de Cassandra (Alexandra Sargento), a dor de Andrómaca (Sandra Santos), viúva, que vê o seu filho condenado à morte, e a vaidade de Helena (Vera Moura), uma “bela com senão”, decorrem num cenário que privilegia o preto e o vermelho.

A apresentação da peça nas Ruínas do Carmo deve-se à pertinência do espaço na exibição desta história e ao projeto, da companhia, de, no verão, levar uma produção para fora do Teatro do Bairro, disse o encenador à agência Lusa.

“O convento do Carmo, [pela] envolvente e o espaço, é o cenário ideal para fazer ‘Troianas’, é muito figurativo, nas ruinas e nas pedras caídas”, explicou António Pires.

Numa cenografia a cargo de João Mendes Ribeiro, biombos em madeira branca transmitem a “ideia das tendas”, e uma plataforma, feita de sacos de areia, revela uma trincheira, que “servirá de palco à rainha Hécuba”, descreveu.

A tradução é da escritora Luísa Costa Gomes, a partir da versão e da dramaturgia inglesa de George Theodoridis, que seguiu o original grego. A versão para palco opta pelo título “Troianas”, sem o artigo definido.

Já na música, o compositor Luís Bragança Gil explica, na apresentação da obra, que explora “a liberdade criativa de atravessar o texto numa diagonal intemporal, com gestos musicais sem preocupações de classificação”.

“Espero transmitir a minha vontade de expressar musicalmente o quanto esta peça teatral mexe comigo, me perturba e me encanta, o quanto faz mover a minha imaginação e a minha curiosidade pelo mundo e pela vida”, acrescenta o responsável pelo coro, formado pelos alunos da ACT.

Este grupo é composto por Beatriz Garrucho, Carlota Marques, Carolina Azevedo, Carolina Lopes, Inês Gomes, Inês Mata, Inês Meira, Eva Fornelos e por Álvaro Arangonez, André Vazão, Gonçalo Pinto, Pedro Nunes, Rafael Diaz Costa e Rui Teixeira, que interpretam seis servos vestidos de preto.

“Troianas”, uma produção do Teatro do Bairro com a produtora ArDeFilmes, vai estar em cena até ao dia 17 de agosto, nas ruínas do Convento do Carmo, em Lisboa.

Os bilhetes para o espetáculo já estão à venda e custam 16 euros.

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