Cinema Fora de Cartaz

Fora de Cartaz: “O Gigante” (1956)

Ambientado no Texas, “O Gigante” é uma obra impactante que faz jus tanto ao seu título, quanto à imensidão da paisagem texana. O filme desenvolve-se ao longo de várias décadas, acompanhando diferentes gerações e o envelhecimento e preocupações de três personagens: o rico criador de gado, Rick Benedict, a sua esposa, Leslie, e um ex-empregado seu, Jett Rink, que enriquece ao descobrir petróleo. Mais do que uma saga familiar, voltada para trajetórias e dramas pessoais, é uma narrativa que aborda os contrastes e transformações sociais, culturais e económicas ocorridos no Sul Profundo durante o século XX.

Apesar de muitas das cenas não terem um grande dinamismo ou um ritmo acelerado, esta produção com mais de 3 horas de duração, não é cansativa para o espectador. Isso deve-se ao enredo envolvente e também às excelentes atuações de Elizabeth Taylor, Rock Hudson e James Dean, nos papéis principais. Cabe lembrar que este é o terceiro e último filme da carreira de Dean, que morreu tragicamente num acidente de carro pouco depois de concluir a sua participação no filme.

George Stevens foi o realizador que abraçou o projeto de dar vida à obra da escritora Edna Ferber, na qual o filme se baseia. A autora, para além de ter ganhado um prémio Pulitzer, teve mais de uma das suas criações adaptadas para o cinema ao longo da sua carreira. Especializada em sagas de famílias desunidas, contava geralmente com uma personagem feminina forte em situações de confronto com uma realidade permeada pela discriminação étnica. Todos esses elementos são encontrados no filme “O Gigante”, que traduz o livro de maneira magistral para a linguagem cinematográfica. O Óscar recebido por Stevens é, certamente, uma prova disso.

Em 2005, o filme foi selecionado para preservação, pela Biblioteca do Congresso Americano, por ser “cultural, histórica ou esteticamente significante”. Não esqueçamos que “O Gigante” foi capaz de reformular os elementos de um faroeste, elevando-os à categoria de drama épico, num mundo em transformação em que a conquista e posse da terra continuam a ser fundamentais. Ao mesmo tempo em que é um manifesto poderoso e eloquente contra a dura realidade da intolerância racial.

Na semana que o cinema celebrou a sua grande festa com a entrega dos Óscares, vale a pena ver ou rever este imponente filme. Disponível em diversos formatos, “O Gigante” é indispensável para qualquer cinéfilo.

Filmes que continuam relevantes mesmo que há
muito tempo já fora de cartaz.

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