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‘Fake news’: Código de conduta da UE deixa as plataformas “safarem-se”

O presidente executivo da organização de verificação de factos norte-americana NewsGuard, Steven Brill, criticou hoje o código de conduta sobre desinformação da Comissão Europeia por ser demasiado brando com as plataformas online.

“Percebo que o programa da conferência é da autoria da Comissão, e este americano não quer ofender ninguém, mas eu li o código de conduta e penso que estão a deixar as plataformas ‘safarem-se’”, notou o cofundador da NewsGuard, que avalia a fiabilidade dos sites noticiosos norte-americanos.

As críticas de Steven Brill, que falava no painel “Como pode a comunidade de verificação de factos ajudar a assegurar um debate público justo?”, foram uma nota dissonante na conferência sobre combate à desinformação em linha organizada pela Comissão Europeia em Bruxelas.

Bruxelas reconheceu hoje progressos de plataformas como Google, Facebook, Twitter e Mozilla no combate às notícias falsas, mas salientou a necessidade de estas reforçarem este esforço, tendo em vista as eleições europeias, que se realizam no final de maio.

Sem especificar como poderia o executivo comunitário ser mais rígido com aquelas plataformas, o também jornalista enalteceu, no entanto, que a Comissão Europeia teve uma iniciativa única no Mundo com aquele código que não tem carácter vinculativo. “Espero que realmente consigam pô-lo em prática”, concluiu.

Clara Jiménez Cruz, do projeto de jornalismo independente de ‘fact-checking’ espanhol Maldita, concordou com a premissa, considerando que é necessário que as plataformas online proporcionem “mais dados” para que a luta contra a desinformação funcione.

“As plataformas colaboram connosco, mas é um facto que se as plataformas não proporcionarem dados a académicos, nós não poderemos trabalhar com eles de modo a que encontremos formas de solucionar o problema”, rematou.

Em 05 de dezembro, a Comissão Europeia apresentou um plano de ação para combater a desinformação na União Europeia, no quadro das próximas eleições europeias, que inclui um sistema de alerta rápido para sinalizar ‘fake news’ em tempo real, e um código de conduta para combater a desinformação ‘online’, já subscrito por grandes plataformas digitais, como Facebook, Google, Twitter e Mozilla, que se comprometeram a aplicá-lo.

As ‘fake news’, comummente conhecidas por notícias falsas, desinformação ou informação propositadamente falsificada com fins políticos ou outros, ganharam importância nas presidenciais dos EUA que elegeram Donald Trump, no referendo sobre o ‘Brexit’ no Reino Unido e nas presidenciais no Brasil, ganhas pelo candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro.

O Parlamento Europeu quer tentar travar este fenómeno nas europeias de maio e, em 25 de outubro de 2018, aprovou uma resolução na qual defende medidas para reforçar a proteção dos dados pessoais nas redes sociais e combater a manipulação das eleições, após o escândalo do abuso de dados pessoais de milhões de cidadãos europeus.

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