Panorama Zero

O Movimento Zero Waste

‘Recuse aquilo de que não precisa, reduza aquilo de que necessita, reuse o que consumir, recicle o que não puder ser recusado, reduzido ou reutilizado e decomponha o resto’. É este o princípio pelo qual se rege Bea Johnson, autora do livro “Desperdício Zero” (2016) e impulsionadora do movimento Zero Waste (Lixo Zero, em português). Parece óbvio? Pense no seu dia a dia:

Acorda e vai tomar banho. Coloca champô (embalagem que, quando vazia, irá para o lixo) e gel de banho, lava os dentes com uma escova (de plástico), que deverá deitar fora e substituir por outra a cada três meses e com pasta de dentes, que vem também num tubo plástico descartável. Ainda não saímos da casa de banho e já vimos que, em poucos meses, iremos deitar fora uma embalagem de champô, outra de gel de banho, uma escova de dentes e um tubo de pasta de dentes.

No trabalho, deparamo-nos com um cenário semelhante: tiramos um café num copo de plástico ou papel descartável, utilizamos um pacote de açúcar que, depois de vazio, deitamos fora e bebemos água em copos descartáveis ou garrafas de plástico, que também deitamos fora depois de beber.

Foto: Trash is for Tossers

Em dois parágrafos compreendemos que utilizamos muitos produtos descartáveis. O que o movimento Zero Waste propõe é não produzir lixo. Isso implica encontrar alternativas não descartáveis para os produtos que utilizamos: os copos de café e de água podem ser substituídos por chávenas de cerâmica e garrafas de vidro ou metal. Os sabonetes e os champôs em barra substituem o champô embalado e o gel de banho.

Não produzir lixo parece, no entanto, uma utopia impossível de alcançar na sociedade de hoje, mas Lauren Singer, do site Trash is for Tossers“, não leva o nome do movimento à letra, explicando: ‘Não envio nada para aterros (…). No entanto, reciclo e faço compostagem’.

Descompliquemos então o movimento Lixo Zero. É possível todos fazermos parte? Sim, basta querermos reduzir o lixo que fazemos. Significa que nunca mais podemos comprar nada embalado? Não. Há coisas que não conseguimos obter sem embalagem, mas podemos encontrar embalagens mais sustentáveis. Vamos ter de nos tornar ermitas para sermos Zero Wasters? Claro que não! Como explica Bea Johnson, ‘não somos hippies malucos. Somos famílias normais com casas, filhos e carros’.

Foto: Trash is for Tossers

Da próxima vez que for ao supermercado, repare na quantidade de embalagens e pergunte-se: como poderei encontrar opções mais sustentáveis? Pode parecer um desafio impossível ao início: afinal, tudo o que consumimos vem embalado e, na maioria das vezes, em plástico – que tem taxas de reciclagem baixas quando comparado com o vidro, o metal ou o papel (basta notar que uma taxa de reciclagem de plástico de 42% é a média europeia e que Portugal reciclar 70% do papel e 58% do vidro significa estar abaixo da média), mas rapidamente se irá aperceber de que existem alternativas para (quase) tudo. Basta querer mudar.

1 comment on “O Movimento Zero Waste

  1. Pingback: Governo antecipa prazos da UE e elimina plásticos descartáveis em 2020 – ( The Panorama News )

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