Cinema Fora de Cartaz

Fora de Cartaz: “Mary Poppins” (1964)

Ambientado em 1910, na Londres Eduardiana, período marcado por crescentes oportunidades económicas e de grandes transformações sociais, o casal de crianças, Jane e Michael Banks, crescem no seio de uma família ausente e disfuncional. O pai, George Banks, vê o seu trabalho num banco como o seu objetivo de vida, enquanto a mãe, Winifred Banks, dedica o seu tempo ao movimento sufragista. Mary Poppins é contratada como ama das crianças, mas as regras que implementa mais do que educar as crianças e de as conduzir por aventuras mágicas, acaba por modificar aos pais, aproximando-os novamente dos filhos.

“Mary Poppins” é baseado na série de livros de P. L. Travers e a pré-produção do filme foi marcada pela relutância da autora em ceder os direitos para a adaptação cinematográfica. Walt Disney em pessoa foi o responsável por convencer Travers, num esforço que durou mais de 20 anos. Esta “batalha” é tão famosa que deu origem, em 2013, ao filme “Ao Encontro de Mr. Banks”, que narra o desenvolvimento da relação entre os dois.

Certo é que todo o empenho de Walt compensou e “Mary Poppins” é “perfeito em praticamente todos os sentidos”. O filme faz um uso inovador de animatrónicos, além de combinar animação e live-action com uma maestria até então nunca vista e estar repleto de números musicais emblemáticos. No total, se apenas considerados os Óscares, foram 5 conquistas.

O elenco é outro ponto de destaque, contando com nomes como Dick Van Dyke (como Bert, o carismático limpador de chaminés), David Tomlinson e Glynis Johns (como o casal Banks) e, claro, Julie Andrews, no papel principal.

Julie Andrews foi escolhida por Walt após este a ter visto em palco e ter sido cativado pela sua personalidade. Uma história curiosa é que ela teria inicialmente recusado o papel. Como na altura estava na Broadway com o musical “Minha Linda Senhora”, esperava ser chamada para viver Eliza Doolittle também no grande ecrã. Os estúdios Warner, no entanto, preteriram a atriz em favor de Audrey Hepburn. “Mary Poppins” marcou a estreia de Julie nos cinemas e rendeu-lhe tanto o Globo de Ouro quanto o Óscar de melhor atriz. Ironicamente, foi graças à escolha da Warner que ela aceitou o papel que lhe renderia os prémios, facto que ela não deixou passar despercebido no seu discurso de aceitação do Globo de Ouro, em 1965.

No próximo dia 20, será lançada a sequela, “O Regresso de Mary Poppins” e, antes de correr aos cinemas, vale a pena rever o filme original. Passados mais de 50 anos desde a sua estreia, “Mary Poppins” não perdeu o encanto, continuando atual na sua temática e brilhantemente conseguido em termos de produção.

Filmes que continuam relevantes mesmo que há
muito tempo já fora de cartaz.

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