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Desigualdade de género é uma forma de extremismo

A ex-ministra jordana Asma Khader defendeu hoje em Abu Dhabi que não é possível alcançar o desenvolvimento sustentado sem igualdade plena entre homens e mulheres e classificou a desigualdade de género como uma forma de extremismo.

“Temos de admitir que sem igualdade total não podemos atingir desenvolvimento nem enfrentar os nossos desafios em sociedade”, disse a antiga ministra, durante a Cimeira Mundial Aqdar, que começou hoje e termina quarta-feira em Abu Dhabi sob o lema “O papel do empoderamento humano no desenvolvimento de sociedades estáveis: Desenvolvimento Sustentável”.

Para a advogada, que dirige a organização jordana de promoção dos direitos das mulheres SIGI, não existe desenvolvimento sustentável ou democracia sem o contributo de ambos, homens e mulheres, sem qualquer obstáculo, principalmente a violência de género.

A ex-ministra jordana, Asma Khader. Foto: Amy Collins

Asma Khader argumentou que não é verdade que exista um papel para o homem e outro para a mulher, mas sim que ambos têm iguais direitos e responsabilidades em assumir papeis na esfera pública e na família. “Os desafios que o mundo enfrenta precisa do ponto de vista tanto dos homens como das mulheres na sociedade”, afirmou.

Para a advogada e ativista dos direitos humanos, a igualdade começa na família: “Sem mudarmos a mentalidade e sem controlarmos a forma como educamos os rapazes e as raparigas, como é a relação entre maridos e mulheres e outros membros da família, nada mudará a outros níveis, ou pelo menos será difícil”, disse à Lusa depois da sua intervenção.

Na sua intervenção num painel sobre “Paridade de Género para uma sociedade melhor”, que contou também com a participação da ministra árabe do Desenvolvimento da Comunidade, Hessa Bint Buhumaid, a Asma Khader disse que a desigualdade entre homens e mulheres é uma forma de extremismo.

A ministra árabe do Desenvolvimento da Comunidade, Hessa Bint Buhumaid. Foto: AWS

À Lusa, Khader explicou que há “interpretações religiosas, tradições ou especificidades culturais que são usadas pelos extremistas e pelos que odeiam e pensam que as mulheres são cidadãs de segunda para justificar a sua posição”.

A ex-ministra da Cultura da Jordânia reconheceu que a região árabe “está na cauda na maioria dos indicadores importantes da igualdade de género”, mas mostrou-se otimista quanto ao futuro: “Acredito que as mulheres na região estão a trabalhar arduamente para ver uma mudança real e isso vai acontecer. Não temos outra hipótese (…), mas ainda há obstáculos e precisamos da solidariedade do resto do mundo”.

Com efeito, segundo o relatório de 2017 do Fórum Económico Mundial sobre a Disparidade entre Homens e Mulheres, a região do Médio Oriente e Norte de África é a pior, a nível global, a nível da paridade de género. Apesar disso, os autores do relatório reconhecem que a região em feito progressos, pelo segundo ano consecutivo.

No mesmo painel na cimeira Aqdar, a ministra Hessa Bint Buhumaid recordou que Abu Dhabi se comprometeu, no seu programa Visão 2021, lançado em 2010, a tornar-se um dos 25 melhores do mundo, nomeadamente em equilíbrio de género.

A intervenção da ministra começou por distinguir entre igualdade de género e equilíbrio de género, defendendo que o termo equilíbrio é mais maduro e mais abrangente. “Quando falamos de equilíbrio de géneros significa uma distribuição equilibrada das oportunidades. As mulheres têm de ter todas as oportunidades, tal como os homens”, sublinhou.

A governante disse que os Emirados Árabes Unidos é já hoje um país modelo a nível da igualdade de género, e “um dos mais importantes países que conseguiu colmatar as disparidades entre homens e mulheres”.

Citou o relatório de 2017 do Fórum Económico Mundial, que coloca o país em terceiro lugar na região do Médio Oriente e Norte de África, só atrás de Israel e da Tunísia, no ‘ranking’ dos mais igualitários.

Questionado pela Lusa sobre a situação dos direitos das mulheres nos Emirados Árabes Unidos, o representante da agência das Nações Unidas para a Ciência, Educação e Cultura na cimeira, Boyan Radoykov, reconheceu que “o facto de que ter havido um painel dedicado ao assunto [na cimeira Aqdar] mostra que houve mudanças”.

“O facto de que a ministra participou mostra a atenção e a prioridade que o Governo está a dar à questão da igualdade de género”, disse.

Organizada pelo Governo de Abu Dhabi em cooperação com a ONU, a Cimeira Mundial Aqdar visa discutir o empoderamento das pessoas em todo o mundo. Na sua segunda edição, a cimeira celebra este ano o centenário do nascimento do xeque Zayed bin Sultan Al Nahyan, fundador dos Emirados Árabes Unidos.

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