Cinema Fora de Cartaz

Fora de Cartaz: “O Crepúsculo dos Deuses” (1950)

Na piscina de uma mansão decadente da antiga Hollywood, flutua o corpo do argumentista Joe Gillis (William Holder). Uma história que começa pelo seu fim, com uma narrativa em flashback que conduz o espectador até ao momento trágico inicial. Endividado, Joe Gillis refugia-se na mansão de Norma Desmond (Gloria Swanson), uma estrela esquecida dos tempos do cinema mudo. Na sua solidão, Norma Desmond vive das glórias do passado, enquanto planeia o seu regresso aos grandes ecrãs com um novo filme, “Salomé”, convidando Gillis para revisar o guião escrito por ela. A situação complica-se à medida em que o desequilíbrio emocional e psicológico de Desmond ficam evidentes.

Realizado por Billy Wilder, “O Crepúsculo dos Deuses” é uma obra-prima. Com um guião inteligente, está repleto com algumas das citações mais memoráveis da história do cinema. A sua influência é tamanha que deu origem a um sem fim de alusões e paródias, que vão desde a literatura até a séries televisivas.

“O Crepúsculo dos Deuses” é uma crítica sobre Hollywood e sobre a forma como manipula as relações humanas, abordando um dos eventos mais traumáticos vividos pelos atores da indústria cinematográfica: a transição para o cinema falado. Este é o mesmo mote de outras produções, como “Serenata à Chuva” (1952) e “O Artista” (2011), com a diferença que aqui não existe a superação, mas sim o falhanço e a ilusão.

Uma curiosidade está na escolha para a atriz principal. Gloria Swanson fora um dos nomes mais populares do cinema mudo, atuou em dezenas de filmes e foi até mesmo nomeada como melhor atriz para a primeira edição dos Óscares, em 1929. Muito embora tenha conseguido fazer a transição para o cinema falado, a sua popularidade caiu logo no começo da década de 1930. “O Crepúsculo dos Deuses” marcou o seu retorno e a sua performance não deixou a desejar.

O filme conta ainda com a participação do realizador Cecil B. DeMille e é onde se encontram outros paralelos entre ficção e realidade. Swanson e DeMille haviam trabalhado em diversas produções, da mesma forma como a fictícia Norma Desmond o teria feito e que agora pretenderia que fosse o seu retorno.

Para além do guião e da qualidade das atuações, trata-se de um bom exemplo de film noir, que faz um excelente uso das luzes e sombras e cuja narrativa deixa o espectador com um gosto amargo na boca. “O Crepúsculo dos Deuses” é um filme que definitivamente merece ser apreciado.

 

Filmes que continuam relevantes mesmo que há
muito tempo já fora de cartaz.

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