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#MeToo: o movimento que pode mudar a nossa linguagem gramatrical

O debate sobre a utilização de terminologia inclusiva ou “neutra” em vez de terminologias masculinas genéricas já tem décadas e voltou a acender em Espanha quando o conselho de ministros espanhol tomou posse.

O novo Governo socialista espanhol é composto por 17 ministros, de entre os quais 11 mulheres e 6 homens. Assim, este ano a tomada de posse ficou marcada pela expressão utilizada pela maioria dos ministros na cerimónia: “conselho de ministras e ministros”, substituindo a habitual forma gramatical “conselho de ministros”.

Não é só em Espanha que se discute a neutralidade de géneros do ponto de vista gramatical. Portugal, Itália e França que falam línguas românicas, também são países afetados. Em Portugal, por exemplo, diz-se “uma capitão” e não “uma capitã” quando se descreve uma mulher em funções do exército.

O #MeToo poderá ser a solução para décadas de luta para afastar o género masculino nas práticas tradicionais da língua. Dario Villanueva, diretor da Real Academia de La Lengua (RAE) disse que o #MeToo já os levou a expandir o significado de certas palavras.

No entanto, Villanueva acredita que não existem exemplos suficientes dentro da sociedade que façam crer que é possível existir um distanciamento do genérico masculino. “A linguagem não muda a realidade. É realidade que muda a linguagem. E a linguagem é sempre um pouco mais lenta”, afirmou ao The Atlantic.

No entanto, o diretor da RAE afirma que se as pessoas começarem a usar o espanhol de forma diferente e mais ampla, será possível refletir e adotar as mudanças pretendidas.

Já Salvatore Callesano, linguista da Universidade do Texas, nos Estados Unidos da América, vê as coisas de outra perspetiva. “Movimentos sociais, como o #MeToo, envolvem inerentemente a linguagem e, consequentemente, impõem a mudança de linguagem”, afirmou à mesma publicação.

“Da mesma forma que tal movimento pode transformar uma hashtag numa palavra produtiva, os falantes podem começar, consciente ou inconscientemente, a considerar o impacto que a linguagem de género pode ter”, concluiu.

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