Cultura Livros

Os livros infantis instauram o racismo?

O Arts Council England, um órgão público dedicado à promoção das artes performativas visuais e literárias em Inglaterra, financiou um projeto de pesquisa relativo à presença de personagens BAME (abreviatura usada para referir membros de comunidade não brancas do Reino Unido) nos livros infantis.

A pesquisa foi realizada pelo Centro de Alfabetização no Ensino Primário Britânico (CLPL), e concluiu que apenas 1% dos livros apresentavam personagens principais negras ou de outras minorias étnicas. Farrah Serroukh, o dirigente deste projeto, descreveu esta descoberta como “chocante”.

Para que o projeto fosse feito, o CLPL pediu aos editores britânicos que enviassem livros com personagens BAME publicados em 2017. Dos 9.115 livros infantis submetidos, apenas 4% (cerca de 400 livros) continham personagens BAME, e 1% apenas tinha uma personagem principal. Notou-se ainda que somente um quarto dos livros apresentavam diversidade nos seus fundamentos.

O caso de Portugal

Relativamente a Portugal, não existe nenhum estudo feito sobre este tema até ao momento. O The Panorama News questionou professores de primeiro ciclo para perceber o que achavam deste estudo e se alguma criança já tinha comentado alguma das ilustrações dos seus livros, ou mesmo se os pais já se tinham queixado, e a resposta foi sempre a mesma: “Não, nem pensam nisso”.

Guilherme Valente, editor da Gradiva. Foto: Joana de Melo

Guilherme Valente, editor da Gradiva explicou-nos o porquê desta ideologia: “É por não serem racistas que nem pensaram nisso”. Para além disso, “estes movimentos que se chamam anti-racistas, e que eu acho que são na verdade racistas, no fundo o que querem é arranjar racismos”, acrescentou.

O psicólogo clínico Ismael Cardoso, esclareceu ao The Panorama News que “por algum motivo o Super-Homem, o Homem Aranha e essas figuras que são os heróis das histórias, não são africanos, nem asiáticos, nem de outras etnias, porque as crianças tendem a assumir como heróis alguém à sua imagem e semelhança, ou que tenham alguns traços com os quais se identifiquem”.

Mas para Ismael Cardoso, o problema vai mais além da questão de género. “Falando em religiões, não vemos nenhum herói muçulmano, não vemos na Síria, Iraque, por exemplo, crianças a comprarem livros sejam escolares ou de banda desenhada, ou do que quer que seja. Elas não tem acesso, nem escolaridade para isso, são conceitos diferentes, não acho que seja uma questão de racismo…”, afirmou.

As crianças tomam atenção aos desenhos, mas não os vêm como atos racistas, nem se sentem desvalorizadas, por serem apenas desenhos. Numa sondagem realizada na rede social Instagram, foi feita a seguinte pergunta: o facto de se usarem personagens maioritariamente brancas nos livros infantis, faz disso um ato racista? 78% respondeu que não e os restantes 22% respondeu que sim.

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