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Racismo pode estar por trás da negação das alterações climáticas

As alterações climáticas são um fenómeno que é comprovado por vários cientistas em todo o mundo. Porém, há quem as continue a negar. Agora, foi publicado um estudo que liga questões raciais a essas pessoas cépticas.

O estudo examinou as atitudes de cidadãos americanos de raça branca durante o mandato de Barack Obama e apurou que estes tornaram-se muito mais despreocupados com o tema das alterações climáticas.

“Eu não estou a tentar provar no estudo que a raça é o mais importante ou necessariamente um componente massivo em todas as atitudes ligadas ao ambiente”, afirmou o cientista por trás do estudo, Salil Benegal, à publicação americana Sierra. “Mas é uma coisa significante que deveríamos analisar”, acrescentou.

Obama foi o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos da América e durante o seu mandato tornou-se um defensor das causas ambientais. Estas razões levaram Benegal a examinar tendências na opinião pública durante o tempo em que ele esteve na Casa Branca.

Depois de analisar vários estudos realizados entre 2006 e 2014, o cientista apurou que 18% dos Americanos de raça branca não veem as alterações climáticas como um problema. Apesar dos resultados serem hipotéticos, Benegal sugere que é possível que os eleitores brancos com altos níveis de preconceito possam ser associados a Barack Obama.

Para examinar essa possibilidade, Benegal debruçou-se sobre dados recolhidos pela American National Election Studies, que desde 1960 tem perguntado aos eleitores questões sobre os seus níveis de racismo e que recentemente introduziram perguntas sobre as alterações climáticas.

Esses dados mostraram que à medida que aumenta o ressentimento nos eleitores republicanos brancos, é mais provável que eles discordem que as alterações climáticas estejam a acontecer devido à atividade humana.

Para o cientista, isso é prova suficiente. “Quando certos eleitores associavam Obama a uma questão, eles viam inerentemente Obama através dessa lente racial e, imediatamente, viam qualquer coisa que fosse associado a ele como algum tipo de questão racial”, declarou Benegal à Think Progress.

Esta não é a primeira vez que cientistas se debruçam sobre este tipo de assunto na arena política, com Benegal a explicar no seu artigo que já foi discutido em contextos como saúde, imigração e bem-estar social.

“Eu acho que a ideia a reter é perceber que as atitudes raciais e a identidade partidária estão-se a tornar mais alinhadas e andam de mãos dadas para um número crescente de questões”, disse o cientista. “E estamos a notar essas interações entre esses dois fatores mais frequentemente”, concluiu.

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