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Australianos querem prolongar a adolescência até aos 24 anos

Um grupo de investigadores do Hospital Royal Children, na Austrália, anunciou que quer expandir o período da adolescência, tradicionalmente definido entre as idades de 10 a 19 anos, até aos 24 anos.

Esta ideia de prolongar a adolescência não é exactamente nova, no entanto, um estudo publicado na revista científica Child Development o ano passado, descobriu que os adolescentes de hoje estão envolvidos em atividades menos “adultas” do que os adolescentes nos anos 90.

Este estudo, analisou dados de um grupo diversificado, de mais de 8 milhões de jovens, entre os 13 e 19 anos, e entre os anos de 1976 a 2016. Os vários adolescentes só tinham que responder o que faziam nos tempos livres. O relatório descobriu que esta nova geração atinge importantes marcos de independência, tiram a carta de condução, arranjam um part-time, praticam desporto. Uma realidade bastante diferente que a vivida pelas gerações anteriores.

Vários estudos têm apontado para uma série de fatores que contribuíram para esta “falha” no lançamento da idade adulta da “Geração Z”. Por um lado, os elevados custos da educação, que se traduzem em dividas, para os universitários maioritariamente, que são obrigados a adiar “decisões importantes de adultos”, como comprar uma casa, optando por ficar mais tempo com os pais. Por outro lado, a fraca economia e maior igualdade de género também atrasam a idade do casamento, e a idade de terem filhos.

Mas, o elemento que a maioria dos investigadores aponta como uma das principais causas deste atraso no desenvolvimento, é a ascensão dos smartphones. Atualmente, cerca de 75% dos adolescentes têm acesso a smartphones, o que significa que é um dispositivo comum que tem o poder de afetar crianças de todas as origens raciais e socioeconómicos. A constante presença das novas tecnologias faz com que os adolescentes e pré-adolescentes vivam uma grande parte das suas vidas online, o que explica a queda significativa das suas vidas sociais fora de casa.

Felizmente, existem alguns benefícios para este estado de adolescência prolongada. As crianças estão a começar a envolver-se em “comportamentos adultos” mais tarde. Embora pareça que o síndrome de “Peter Pan” seja real, a boa notícia é que isso não significa que vão viver para sempre em casa dos pais, há-de chegar o dia que ganham asas, para voar.

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