Entrevista Música

“O silêncio é o grande mal da nossa civilização”

Por ocasião do centenário de Nelson Mandela, o músico Kalaf Epalanga conta-nos que "é importante relembrar figuras como ele".

O líder histórico sul-africano Nelson Mandela está a ser homenageado por todo o país, por ocasião do centenário do seu nascimento. O Dia Internacional de Nelson Mandela comemora-se à escala mundial no dia 18 de julho.

O músico angolano Kalaf Epalanga vai fazer uma participação especial numa das atividades programadas em Lisboa e conta ao The Panorama News que “é importante relembrar figuras como ele”.

Está-se a celebrar o centenário de nascimento de Nelson Mandela e o Kalaf vai participar numa das iniciativas agendadas. Qual a importância do engajamento nestas celebrações?

Com o estado em que o mundo se encontra, é importante relembrar figuras como ele. Precisamos de focar, o mundo precisa de foco. Precisamos de nos relembrar de coisas trágicas como a 2ª Guerra Mundial que não aconteceu há muito tempo atrás e que a liberdade é um valor que tem de ser preservado e Mandela é um símbolo desta luta, da resiliência humana.

De que maneira a música pode servir de suporte para a mensagem do legado de Mandela?

A música é o maior veículo que nós temos para transmitir ideias, valores, sonhos – que eu acho que é uma coisa que às vezes nos esquecemos, que damos como garantido. Mas a verdade é que temos que nos ensinar uns aos outros e a música também pode ser didática, ensinar às pessoas a manter presente alguns valores.

Uma vez Mandiba disse: “Se falarmos com um homem numa linguagem que ele compreende, isso entra na cabeça dele. Se falarmos com ele na sua própria linguagem, atingimos o seu coração”. É esse o propósito da música? Atingir o coração das pessoas numa linguagem universal?

Sim, claro. Mandela não podia ter dito melhor (risos), por isso é que ele é o grande Mandela (risos).

O racismo é um assunto de debate que continua atual. De que forma a música se insere nessa luta?

Dar exemplo. A música é essa linguagem universal, todos nós entendemos, todos nós conseguimos praticá-la. Tanto os que executam como os que a ouvem. Eu não coloco essa responsabilidade na música. É uma responsabilidade de todos, um dever social. Todos nós devemos estar conscientes e combater injustiças com todas as forças. Com todas as armas que temos ao dispor e a música é uma delas. Mas existe outras: a escola, os livros, a sociedade. Sou africano, eu partilho, comungo, do mantra “each one“.

Qual a melhor forma de honrar Nelson Mandela no seu centenário?

Combatendo injustiças. Trabalhar para melhorar essa vida miserável que muitos de nós ainda se encontra. Contribuir, não ficar calado. O silêncio para mim é o grande mal da nossa civilização. O silêncio, a apatia. Não podemos desistir.

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