Desporto Opiniões

Clara Osório: Hala, Ronaldo

6 de julho de 2009. Minutos depois das nove da noite. De camisola 9 vestida, um português encheu o Santiago Bernabéu. Mais de 80 mil deixaram de parte a rivalidade com o país vizinho para receberem aquele que, aos 24 anos, tinha acabado de ser eleito o ‘Jogador do Ano’ pela FIFA.

Gritou ‘Hala, Madrid’ e desatou a conquista. Tinha chegado como a transferência mais cara de sempre e marcou. Marcou. Marcou muitos golos. Marcou sempre e cada vez mais a história do futebol.

Pelo clube ‘merengue’ foi protagonista de um dos mais épicos duelos com um rival ‘blaugrana’. O que Messi fazia, Ronaldo superava e vice-versa. Nunca a rivalidade terá potenciado tanto duas figuras do futebol.

Quando de clubes se fala, mostra-se homem de compromisso. Deixou o calor da família na Madeira para crescer seis anos em Alvalade. Por lá, chamou a atenção de Sir Alex Ferguson. A vertigem da finta, fê-lo crescer sempre mais. Passou mais seis anos a fazer render a ‘Premier’ e o homem forte do Real Madrid não ficou indiferente.

Vestia de branco a camisola 9 naquela noite de exaltação. ‘Hala, Madrid!’. A lenda merengue – Alfredo Di Stéfano – fez questão de recebê-lo, quase adivinhando não uma passagem de testemunho, mas um olimpo maior que em pouco tempo teria no português mais uma figura para prosperar. Durante 9 temporadas foi motor para chegar a tantas festas. Os anos foram passando e da loucura do drible, evoluiu para a eficácia pura. Somou títulos, bolas de ouro, botas de ouro. Ronaldo passou a ser a arma mais letal apontada às redes adversárias. Foi a face das conquistas sempre mais históricas da Liga dos Campeões vestido de branco.

Já não vestiu de branco antes de partir para o Mundial na Rússia na apresentação das novas fardas do Real. Sem a estrela maior no elenco dos novos tecidos fazia-se a crónica de um divórcio anunciado.

No futebol dos milhões para lá da tinta que correu sobre eventuais desentendimentos com Florentino Pérez, certo foi o problema com o fisco espanhol.

Por Portugal, o capitão campeão europeu disse adeus ao Rússia 2018. Gravado fica o abraço que deu a Cavani, o homem do Uruguai que antes do corpo quebrar carimbou o regresso da equipa das quinas a casa. Ficava, nessa altura, a interrogação se Edinson e Cristiano festejariam juntos na mesma equipa na capital francesa.

Mas os rumores de uma vecchia signora que queria apostas às fichas todas no português cresceram. E hoje parece certo que o dia de aniversário da chegada será o escolhido para a despedida.

A sede de mais, de ser o melhor, de bater todos os recordes vai continuar
Os olhos do mundo seguem postos em Ronaldo. De ‘adiós’ para ‘ciao, Torino’. Da camisola branca para as listas negras.

Certo é que O festejo com o salto poderoso num desafio aos deuses do futebol vai continuar.

Clara Osório, jornalista RTP

1 comment on “Clara Osório: Hala, Ronaldo

  1. Pingback: Bernardo na melhor fase da carreira, mas o melhor continua a ser Ronaldo – ( The Panorama News )

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